Banda de Linhares fecha ciclo com “o último disco do ano”

O último disco de 2017 foi de uma banda de Linhares. Cainã e a Vizinhança no Espelho lançou “O Último Disco do Ano” às 23h59 do dia 31 de dezembro de 2017. O disco de seis faixas foi disponibilizado no YouTube junto com um “diário de bordo” (um logbook, segundo Cainã) sobre o quão especial foi ano para eles.

Oficializada nos primeiros dias de 2017, a Vizinhança no Espelho veio do projeto solo do Cainã. Ele (vocal e guitarra) se uniu ao irmão Dan Morellato (guitarra), Hugo Rogério (bateria) e Antonio Mathias (baixo). Mesmo muito nova, a banda já tocou num dos maiores festivais do mundo, o “Rock in Rio”, quando foi pauta neste mesmo C2.

“Foi uma experiência maluca, profissional. Tinha voo, horário pra tudo, uma equipe à disposição”, lembra Cainã. Lançar o disco no último dia do ano foi uma maneira de encerrar esse ciclo que foi 2017 para a banda.

Assim como o álbum do projeto solo de Cainã, “Morador do Mato” (2015), “O Último Disco do Ano” foi gravado no apartamento do vocalista, em Linhares, Norte do Estado. Cainã, que havia produzido o “Morador …” totalmente sozinho, diz que pouca coisa mudou na forma de gravar de um para o outro, mas “em termos de ideia e planejamento foi completamente diferente”. Enquanto a produção do primeiro durou cerca de um ano, “O Último…” foi registrado em 15 dias – de 15 a 31 de dezembro.

“Foram menos músicas (seu disco solo tinha 15 faixas)… São seis e uma delas já estava pronta. Mas foi muito intenso, pela época do ano em que a gente estava e pelo ano em que a gente estava. Tudo isso está refletido no que foi gravado”.

INFLUÊNCIAS

Para gravar o seu primeiro disco, Cainã aprendeu tudo sobre o processo de gravação. Por conta disso, ele ajudou várias bandas de amigos de vários estilos diferentes a gravar seus trabalhos, o que está refletido em “O Último Disco do Ano”.

Além disso, outros artistas capixabas influenciaram muito tanto o disco quanto toda a carreira de Cainã. O principal deles é André Prando, que inclusive participa da quarta música do disco, “Bem”.

“Eu me inspiro muito nessa galera da minha geração que sonha os mesmos sonhos, me inspiro muito neles. Quanto mais eu puder compartilhar com essa galera em shows, gravações e ideias, melhor. É o que eu gosto, é o que eu amo fazer, principalmente por serem da terra”, revela Cainã, que também valoriza bandas de outras gerações em sua formação. “Solana foi uma banda que entrou na minha vida numa época muito interessante. Eu percebi que eu podia compor em português sem soar brega”, completa.

Mas nem tudo são flores; fazer música a partir do interior do Estado é difícil. “Na parte de fazer música é tranquilo, mas na parte de ‘pocar’ a música é complicado.” Um dos principais fatores para isso, segundo Cainã, é a falta de um local para shows em Linhares. “Tem pessoas de Linhares que só viram a gente em Vitória.”.

Ele acredita que a falta de reconhecimento é o maior problema. “Não só do público, mas dos empreendedores. Chega beirar a falta de respeito (dos empreendedores)”.

FUTURO

A vontade com o lançamento do disco não era apenas fazer barulho ou mostrar o trabalho para o maior número de pessoas possível. “Óbvio que a gente ama isso, a gente adora que as pessoas ouçam nossa música, isso é o que move a banda”, diz, para se justificar em seguida. “Vamos fechar o ciclo, vamos gravar essas músicas que são de agora, vamos fazer pela gente”.

Agora, com o disco lançado e ciclo encerrado, Cainã pretende espalhar o disco, que já está disponível tanto no YouTube quanto em plataformas de streaming como Spotify e Deezer.

“Vamos mostrar que a Vizinhança no Espelho é uma banda séria, que a gente ama e quer viver disso.”

OUÇA O ÁLBUM:

“O Último disco do ano” – Cainã e a Vizinhança do Espelho

Independente, 6 faixas.

Disponível no YouTube e nas principais plataformas de streaming.

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